26 de jul de 2011

Como ser interessante (por Russel Davies)

Russel Davies, que já foi planner de empresas como a Nike, escreveu em 2006 um post em seu blog sobre como ser uma pessoa interessante, e que continua muito atual. Qual a importância de ser uma pessoa interessante?

Uma pessoa interessante consegue transferir toques de interesse a tudo que o rodeia. É um exercício muito bacana e que pode levar a ideias muito boas além de uma nova forma de encarar o mundo. Passei a pensar nisso quando um interessante amigo, num momento de crise pessoal, me aconselhou a morrer. Levei um tempo para compreender que precisava abrir espaço para o novo e que trabalhar para ser alguém interessante não é nada mau.

Davies partiu de dois princípios. O primeiro é que para ser interessante você precisa ser interessado. Significa que você tem que encontrar o lado interessante de tudo, de um passeio cansativo na época de comprar presentes de Natal em shoppings lotados a experimentar aquele restaurante novo com os seus amigos. Ouça as pessoas, veja-as, descubra o que há de interessante em cada momento. Você encontrará coisas e pessoas interessantes, e as pessoas te acharão interessante também.

O segundo princípio é que pessoas interessantes são boas em compartilhar. Não dá pra se interessar por alguém que não agrega nada, não traz nada de novo. Não significa que você precisa falar pelos cotovelos. Compartilhes ideias, descobertas, e deixe que as pessoas as questione, transformem e também compartilhem. É muito bom para criar uma rede de pessoas interessantes e atrair novas pessoas.

Partindo disso, ele aborda dez tópicos. Fiz alguns comentários pessoais, afinal, eu gostei muito da abordagem e pretendo colocar as ideias dele em prática:

Tire ao menos uma foto por dia. Poste no flickr.

Eu não sou lá muito fotogênica (os amigos que fiz online e depois me encontraram pessoalmente que o digam). Sempre fugi de fotos, mas gosto de ver fotos alheias. Acredito que estou pronta para começar registrar as coisas boas que vejo e vivo e dividir por ai. Todo mundo pode fazer algo parecido. Tendo bom senso e tomando cuidado com excesso de egoshot, pode agregar muitas coisas bacanas. Talvez eu até descubra um jeito de me tornar fotogênica, quem sabe?

Comece um blog. Escreva ao menos uma sentença toda semana.

Eu sempre fui comunicativa. Nunca resisti a compartilhar coisas com amigos e a fazer amigos novos, e o amadurecimento de ideias finalmente me trouxe a escrever o este blog pessoal. Outras ferramentas, principalmente mídias sociais, também são perfeitas no caso, e os debates são sempre legais.

Mantenha um scrapbook.

Eu nunca soube que os caderninhos e bloquinhos que geralmente carrego na bolsa se chamavam assim. Tenho pilhas de agenda que servem exatamente como scrapbook. Às vezes gosto de olhar notas antigas, pra ver o quanto evoluí em certos pontos, retomar boas ideias que ficaram no rascunho e começar a fazer delas algo palpável. Atualmente tenho um caderninho novo, uma vez que estava disposta a me reinventar. Nunca fui uma desenhista brilhante, mas adoro meus bonecos de palitinhos.

Leia toda semana uma revista que nunca leu antes.

Eu sou do tipo que lê até bula de remédio e rótulo de detergente. É bom ler qualquer coisa que caia em mãos, de revista de pesca ao Diário Oficial.

Uma vez por mês, entreviste alguém por 20 minutos e descubra como elas se tornaram interessantes. Faça podcasts das conversas.

Muito bom! Sabe que estava nos meus planos mesmo antes de ler o artigo do Davies? Apesar de ainda não ter anunciado, em breve faço minha estreia como redatora em um site feminino, e entrevistas estavam justamente nos meus planos. Mas não tinha pensado ainda em fazer podcast do assunto. Será que rola? Vamos ver com as editoras do site - logo após minha estreia acontecer.

Colecione algo.

Eu coleciono livros, especialmente os de literatura e de RPG. Meu irmão caçula coleciona instrumentos musicais, e ultimamente me convenceu a, em breve, começar a aprender a tocar algo. Me levou a visitar lojas de música com ele na semana passada, e foi muito bom poder xeretar naquelas coisas que eu desconhecia. Depois, ele veio aqui em casa olhar minhas novas aquisições. Não é ainda um acervo muito grande, mas estou trabalhando duro para que se torne.

Uma vez por semana, sente-se em um café por uma hora e ouça a conversa dos outros. Faça anotações. Poste sobre esses assuntos no seu blog (com muito cuidado).

Adoro as conversas de passagem que ouço no metrô, na faculdade, na livraria. Às vezes, fico imaginando diálogos sobre os assuntos que ouvi, e sempre acabam se tornando coisas loucas que motivam comentários que faço no Facebook ou no Twitter.

Mensalmente, escreva 50 palavras sobre uma peça de arte visual, um texto, uma música e um trecho de filme. Se puder, faça o mesmo para outros tipos de arte. Poste-as no seu blog.

Eu costumava fazer algo parecido e escrever no meu caderninho de notas. Muitas notas tem sido postadas no final de coisas que escrevo no blog. Mas talvez seja legal também tentar essa troca com outras pessoas. Blogs de alguns amigos me trouxeram ideias legais, outras encontrei no meu próprio caderninho. E você, costuma tomar nota das coisas que ouve, assiste, vê ou lê?

Crie coisas.

Eu já fui de me arriscar a criar poesias. Já trabalhei bastante com artesanato e costura, pelo simples prazer de tentar coisas novas (ganhei até uma máquina de costura de presente). Atualmente estou pensando em que coisas novas colocar a mão, porque é legal que seja algo que eu nunca tentei fazer a sério antes. Alguma dica? Pensei em origami, já que vi uns muito lindinhos pela internet.

Leia.

Ler é importante sempre. Se é a palavra que dá o recorte e a percepção de mundo, nada mais justo pra expandir os pensamentos e abrir mais a própria mente, não é? Uma boa sugestão pra compartilhar leituras com amigos e registrar leituras feitas é o Skoob. Você já conhece? É uma rede social para quem gosta de ler, e você pode me encontrar por lá.

Conclusão: boa informação nunca envelhece, ao menos enquanto o cenário não muda muito. O trabalho criativo, como o de um redator, demanda emprestar interesse constante ao que se cria. Se quer escrever coisas interessantes, seja uma pessoa interessante.

Para ler o post original, onde Davies explana melhor cada tópico, clique aqui (em inglês).

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